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Regularização das Feiras Livres

A cidade de São Paulo comemora nesta segunda-feira (25) o centenário da regulamentação das feiras livres. Traço marcante da cultura popular paulistana, o comércio atravessou décadas mantendo sempre o mesmo formato, assim como a qualidade dos produtos comercializados.

Atualmente a cidade conta com 880 feiras, distribuídas pelas 32 subprefeituras de terça a domingo. São 12.073 feirantes cadastrados na cidade, donos de 16.300 barracas. Dificilmente eles se limitam a comercializar em um só ponto. Trabalham em diferentes feiras, três, quatro, cinco e até seis vezes por semana.

Prática comercial existente desde a antiguidade, as feiras livres somente tiveram sua atividade regulamentada na capital no início do século passado. Em 1914, o então prefeito Washington Luis assinou o Ato 710, que criava os mercados francos.

Polo de abastecimento, o centro da cidade concentrou as primeiras formações do comércio: considera-se que a primeira feira oficial implantada na cidade foi a do Largo General Osório, na época com 26 feirantes. A segunda feira formalizada instalou-se no Largo do Arouche, com 116 feirantes. Até o ano seguinte outras cinco feiras se consolidaram – mais uma em cada um desses pontos e outras três no Largo Morais de Barros, no Largo São Paulo e na Rua São Domingos.

Perfil
Dos 12.073 feirantes cadastrados na cidade, 7.211 (60%) são homens e 4.862 (40%) são mulheres. No que diz respeito à idade dos feirantes, 7.865 (66%) deles têm de 36 a 65 anos. E se de um lado tem poucos jovens até 25 anos trabalhando nas feiras (319, ou 3% do total), há ainda uma grande incidência de idosos feirantes: 1.678 (13%) deles têm entre 66 e 95 anos.

E a maioria dos feirantes trabalha em família. Basta caminhar por qualquer umas das mais de 880 feiras da cidade para encontrarmos casais, pais e filhos do outro lado da barraca. A feirante Eico Miura Tokuno, 65, estava grávida de sua primeira filha quando ela e o marido, Yoshiro Tokuno, 66, assumiram a barraca de seu pai, há mais de 38 anos. “Desde que me lembro por gente, meu pai trabalhava como vendedor de legumes. Começou como carroceiro e depois comprou uma barraca”, disse a feirante, que atua hoje em cinco feiras na cidade. O casal também tem ajuda do filho mais novo, que apesar de não atuar como vendedor, assumiu a área logística do negócio. Diariamente, ele busca os legumes e verduras em uma chácara em Biritiba-Mirim, cidade a 84 km da capital.

O vendedor de caldo de cana Jorge Shingi Miyashiro, 60, também herdou de sua família a arte de vender em feiras livres. Teve pais, tios, irmãos e primos, todos envolvidos com o negócio. Começou a trabalhar há 48 anos em uma das barracas de frutas da família. Com o tempo, trocou as frutas pela cana. “O pessoal foi saindo, casando, e o trabalho ficou muito puxado. A rotina do caldo de cana é mais branda”, diz ele, que trabalha com a mulher, Fátima Kiyomi Miyashiro, 51. O casal vive no Tremembé e chega às feiras por volta das 6h30 da manhã. Normalmente, os vendedores de frutas, verduras e legumes iniciam o seu trabalho ainda pelas madrugadas, pois têm de buscar seus produtos em chácaras e sítios vizinhos à cidade ou nos mercadões centrais.

José Carlos Santana, de 51, seguiu o caminho contrário ao que segue grande parte dos feirantes da cidade. Até oito anos atrás, ele trabalhava em uma concessionária de carros. Resolveu deixar o seu trabalho para acompanhar os filhos que já atuavam em várias feiras livres da cidade como vendedores de legumes. “Hoje eu sou muito mais feliz porque o trabalho aqui é mais divertido. Passamos o dia brincando e conversando com os outros”, diz o feirante.

Para o contador aposentado Edevar Soares da Silva, 86, o ambiente das feiras livres é fundamental para que ele continue frequentando esses espaços do bairro em que vive há 81 anos, o Limão. “Os feirantes são legais e têm uma relação de carinho com a gente. Eles nos dão muito mais atenção do que teríamos em um mercado”, disse o aposentado enquanto o peixeiro Nelson Yuamoto, 51, tirava um a um os espinhos do salmão que ele levaria para casa.

Segundo Yuamoto, a relação é recíproca. “O cliente de feira é um amigo. Temos vários clientes como o seu Edevar, que compra na nossa mão há mais de 20 anos. No fim, acabamos conhecendo a família toda”, afirmou o peixeiro.

Concorrência
Ainda que nesses 100 anos a clientela tenha diminuido frente à popularização e expansão dos super e hipermercados, as feiras parecem estar longe de seu fim. Têm um público cativo formado pelos que prezam pelo frescor dos alimentos e pelo preço justo. Estima-se que cerca de 3 milhões de pessoas frequentem, semanalmente, esses mercados a céu aberto e se abasteçam com produtos desse ramo de atividade. Hoje, além de consideradas os principais polos comerciais de frutas, legumes, verduras e pescados, as feiras são fontes geradoras de emprego. São responsáveis pelo emprego direto de 70 mil pessoas.

“Faço compra na feira há anos. Gosto delas porque são pertinho de casa e eu não dirijo, então para mim é muito mais prático. Isso sem falar na qualidade dos produtos”, diz Ana Maria Rodrigues, 79 anos, aposentada que frequenta pelo menos três feiras na zona leste.

Para a artesã Andrea Fernantes, de 42, a visita à feira é um programa de família. Para ela, a atividade é importante para que os filhos, Gustavo, 7, e Manuela, 5, tenham uma boa alimentação. “Eles são crianças saudáveis. Comem de tudo. Acho importante que vejam as frutas frescas e não tenham contato com a comida processada e pronta somente”, disse Andréa, moradora do Limão.

Cidade Sustentável
A gestão municipal vem empreendendo esforços na modernização das feiras, tendo em vista a sua coexistência harmônica na estrutura urbana da metrópole. O Plano Diretor Estratégico, aprovado em julho desde ano, redefiniu, por exemplo, a demarcação da Zona Rural na cidade, que desde 2002 havia deixado de existir. São mais de 200 quilômetros quadrados nos distritos de Parelheiros, Grajaú e Marsilac, no extremo sul da capital.

A medida permitirá uma série de instrumentos que vão garantir formas de financiamento da produção na área, vocacionada para a agricultura familiar e orgânica. A cidade possui quatro feiras de produtos orgânicos e uma nova deverá ser inaugurada ainda nesta semana no Largo da Batata, em Pinheiros, zona oeste.

Em abril deste ano, a Secretaria do Trabalho lançou um edital de chamamento público aos produtores de agricultura familiar interessados em ocupar espaço público para comercialização de produtos orgânicos em feiras livres no município.

“A Prefeitura percebeu que existe uma grande oportunidade de incentivar a agricultura familiar e os produtores rurais, mas que também existe uma enorme oportunidade de venda desses produtos. Estamos dando demonstrações, sinalizações e ações de que São Paulo quer resgatar e fortalecer o papel das feiras livres e das feiras de orgânicos como um símbolo da cidade”, afirmou o secretário municipal de Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo, Artur Henrique da Silva Santos. A pasta é responsável pela Supervisão de Abastecimento na cidade.

Além disso, a administração municipal mantém ainda um projeto piloto de compostagem de restos de frutas e verduras em uma feira em São Mateus, na zona leste. Os resíduos deixam de ser encaminhados para aterros sanitários e começam a virar adubo para o trabalho justamente dos pequenos produtores rurais. Há planos para que a iniciativa seja reproduzida nas mais de 800 feiras semanais do município.

Limpeza
Atualmente, centenas de profissionais de limpeza atuam diariamente a cada fim de feira. São eles os responsáveis por limpar a área e ensacar os resíduos deixados pelos feirantes. Em seguida, um caminhão coleta o lixo e outro, equipado com tanque irrigador, lava a área. Edilson Ferreira dos Santos, de 47, trabalha há 8 anos em uma equipe que atua na feira da Praça Charles Miller, no Pacaembu. “Vez ou outra temos problemas com uma ou outra barraca que não é desmontada a tempo, mas em geral, a dinâmica funciona bem”, disse.

De Secretaria Executiva de Comunicação

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